terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quem conhece Antônio Vieira?

Era março de 2008. Uma tarde quente, típica do verão de João Pessoa, em uma das salas do DECOM (Departamento de Comunicação) na UFPB. Estava eu participando do Encontro Regional dos Estudantes de História que ocorreu nessa universidade. Na ocasião, apresentando um trabalho sobre Antônio Vieira, meu objeto de estudo desde 2006 quando ingressei no curso de História da UFPB! Bom... tudo iria bem se não fosse o comentário da coordenadora do Grupo de Trabalho no qual estava apresentando sobre o meu trabalho, lembro-me inclusive das vírgulas que usou: "...e quanto ao seu trabalho (referindo-se ao meu) não sei, nunca percebi a relevância de se estudar Vieira. Pra que estudar Vieira?"

Pode parecer simplório mas essa indagação (que achei de muito mal gosto :P) me rendeu dias e dias de inquietações e dúvidas. Primeiro, como um padre tão importante durante o século XVII e que foi, inclusive, peça chave nas negociações que envolveram o destino do Brasil com os "holandeses", tem uma posição tão pálida na história do país??? Segundo, porque tão poucos historiadores se debruçam sobre homem que me encantou desde o primeiro sermão???

Um ano depois me vem às mãos o esboço biográfico de Clóvis Bulcão homônimo ao nome do grande padre. Ele responde essas primeiras perguntas (sim, por que dessas surgiram outras e outras).
Primeiro) A palidez do lugar que ocupa deve-se ao tipo de ensino de História que temos nas escolas, ou seja, o modo como aprendemos sobre o passado colonial do Brasil. Sobre o século XVII detemos nosso olhar na produção açucareira e no início da colonização. Além disso outros dois padres também da Companhia de Jesus ocupam espaços maiores ofuscando o pe. Vieira: Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. O primeiro fundador das cidades de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo e o segundo largamente conhecido por utilizar o teatro como ferramenta para catequização de indígenas.
Segundo) Antônio Vieira tem sido tratado como objeto quase que exclusivo dos estudiosos da literatura e da filosofia... poucos historiadores se arriscam ao mundo vieirino, talvez pela vastidão de sua obra!!!

Uma pena!
Continuo tentando seguir esses passos que para mim são tão laboriosos mas ainda assim prazerosos!

Indico: BULCÃO, Clóvis. Padre Antônio Vieira: Um esboço biográfico. Rio de Janeiro, José Olympio, 2008.

12 comentários:

  1. Mt bom! Fico feliz desse "despertar" histórico =)

    ResponderExcluir
  2. Laércio disse (e eu quase morro de rir com o jeito dele):
    Que bom este espaço! É preciso revelar os nossos motivos em trilhar os caminhos da História! E você vem provando a relevância da pesquisa!
    Abraços!!!

    ResponderExcluir
  3. parabens minha querida pela iniciativa!!!
    continue sempre assim...vc é minha garotah.
    bjaun

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. olha só, a passagem "nunca percebi a relevância de se estudar Vieira. Pra que estudar Vieira?", e em especial a pergunta no final te motivam tanto quanto tua paixão pelo tema. ehehehehe
    é bom um espinho na carne as vezes!
    beijos moça!

    ps.: mas... pra q estudar Vieira mesmo??? xD xP

    ResponderExcluir
  6. Hadassa que bom esse espaço que você criou!
    Parabéns pela iniciativa!
    E que bom que essa "pergunta de mau gosto" te despertou ainda mais.
    Bem, vou acompanhar você e suas postagens claaaaaaaaaaaaro, afinal compartilho da sua paixão pela História!
    bjs

    ResponderExcluir
  7. Nunca vi mesmo nenhum estudo aprofundado sobre o pe Vieira. Acho que só vi, e mto pouco, nas aulas de literatura do Ensino Médio.
    Gostei do post e de seu interesse no estudo. Achei bem diferente.

    ResponderExcluir
  8. Me interessei por Vieira, desde que ouvie a Música de Luiz Gonzaga e José Clementino, em que eles citam o Padre Vieira na letra, (Apologia ao Jumento). e tenho alguns livros sobre ele tbm.
    Acho ele uma figura Nobre!!!
    Cristóvão.

    ResponderExcluir
  9. Trabalho com so sermões de Antonio Vieira há cerca de uns sei anos. Esse questionamento, que me impressiona por vir de uma historiadora, reflete o quanto ainda estamos distantes de superar os esquemas teóricos que buscam explicar, não só o nosso passado colonial, como o próprio Antigo Regime em Portugal.
    Eu responderia que, dentro da obra de Vieira, existe toda uma articulação conceitual que expõe a estrutura sócio política daquele período, explicitando uma teologia política que acaba se constituindo no principal mecanismo de ordenação do mundo social daquele período e que, de certa forma, explica muita coisa sobre nós a partir de uma articulação entre passado e presente que procura dar conta de uma perspectiva de futura.
    Essa pergunta deveria ter sido devolvido aos moldes de Bloch, ou seja, simplesmente por proporcionar uma certa distração.
    Marcelo Tadeu dos Santos
    Parabéns pela iniciativa.

    ResponderExcluir
  10. Fico feliz pelo blog piquena... Denota sua competência e o seu profissionalismo
    Voce esta de parabens minha historiadora
    "Sustente o fogo... Bons ventos ... E maquinas a todo vapor" Sucesso!

    ResponderExcluir